A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o compartilhamento de dados nos games (2024)

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o compartilhamento de dados nos games (2024)

Análise sobre o impacto da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no compartilhamento de dados dentro do setor de jogos eletrônicos (games). A LGPD, promulgada em 2018, estabelece diretrizes rigorosas para o tratamento de dados pessoais no Brasil, refletindo preocupações globais com a privacidade.

Introdução

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Lei nº 13.709, sancionada em 14 de agosto de 2018, representa um marco regulatório significativo para a privacidade e proteção de dados pessoais no Brasil. 

Inspirada no Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia, a LGPD estabelece diretrizes claras sobre como empresas e organizações devem tratar os dados pessoais, assegurando os direitos fundamentais de privacidade dos cidadãos. 

Em um contexto digital crescente, onde os jogos eletrônicos (games) ocupam um espaço cada vez maior, compreender como essa legislação impacta o compartilhamento de dados dentro desse setor é essencial.

A LGPD: Princípios e Aplicações

A LGPD abrange qualquer operação de tratamento de dados pessoais realizada por pessoa física ou jurídica, pública ou privada, independentemente do meio, do país de sede da empresa ou do país onde estejam localizados os dados. 

Seus princípios fundamentais incluem a finalidade, adequação, necessidade, livre acesso, qualidade dos dados, transparência, segurança, prevenção, não discriminação e responsabilização.

Os dados pessoais referem-se a informações relacionadas a uma pessoa física identificada ou identificável, enquanto dados sensíveis abrangem informações sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, saúde, vida sexual, genética ou biometria.

O Compartilhamento de Dados em Games

Coleta de Dados em Games

Os jogos eletrônicos coletam uma ampla gama de dados dos usuários. Desde informações básicas, como nome e endereço de e-mail, até dados mais complexos, como comportamento de jogo, interações sociais dentro do jogo e preferências de consumo. 

Essa coleta de dados é essencial para aprimorar a experiência do usuário, desenvolver novas funcionalidades, personalizar conteúdo e implementar estratégias de monetização.

Compartilhamento de Dados com Terceiros

O compartilhamento de dados dentro do ecossistema de games é uma prática comum. Desenvolvedores e editores de jogos frequentemente compartilham dados com terceiros para diversas finalidades, incluindo marketing, análise de dados e melhorias no jogo. 

No entanto, sob a LGPD, esse compartilhamento deve ser feito com base em bases legais claramente definidas, como consentimento, execução de contrato, cumprimento de obrigação legal, proteção do crédito, entre outras.

Consentimento e Transparência

Uma das bases legais mais relevantes no contexto dos games é o consentimento. 

Para que os dados dos jogadores possam ser compartilhados com terceiros, os usuários devem fornecer consentimento explícito, informado e livre. 

Isso significa que as empresas devem ser transparentes sobre quais dados estão sendo coletados, com quem serão compartilhados e para quais finalidades. Além disso, os usuários devem ter a capacidade de revogar o consentimento a qualquer momento.

Exemplo Prático: Jogos Mobile

Em jogos mobile, a coleta e compartilhamento de dados são particularmente intensos. Muitas vezes, esses jogos utilizam redes de publicidade que exigem o compartilhamento de dados para personalizar anúncios. 

A LGPD exige que os desenvolvedores obtenham consentimento claro dos usuários para tais práticas e forneçam opções de opt-out.

Desafios e Oportunidades

Desafios

Os desenvolvedores de games enfrentam desafios significativos para cumprir a LGPD. A conformidade pode exigir revisões substanciais nas políticas de privacidade, ajustes nos sistemas de coleta de dados e implementação de novos mecanismos de consentimento. 

Além disso, garantir a segurança dos dados é uma preocupação constante, visto que vazamentos e acessos não autorizados podem resultar em penalidades severas.

Oportunidades

Por outro lado, a conformidade com a LGPD pode criar oportunidades. A adoção de práticas transparentes e respeitosas de privacidade pode aumentar a confiança dos usuários, melhorando a reputação da empresa. 

Além disso, ao garantir a proteção dos dados, as empresas podem evitar riscos legais e financeiros associados a violações de dados.

Conclusão

A LGPD representa um passo crucial para a proteção dos dados pessoais no Brasil, afetando diretamente a forma como os dados são compartilhados dentro do setor de games. 

A conformidade com a legislação exige que as empresas de jogos adotem práticas transparentes e obtenham consentimento explícito dos usuários para o compartilhamento de dados. 

Embora isso apresente desafios, também oferece oportunidades para construir uma relação de confiança com os usuários e fortalecer a posição da empresa no mercado.

Referências

1. BRASIL. Lei n.º 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm. Acesso em: 25 jun. 2024.

2. BRASIL. Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Guia Orientativo para a Aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Disponível em: https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/noticias/guia-orientativo-lgpd. Acesso em: 25 jun. 2024.

3. FERREIRA, B. Privacidade e Proteção de Dados em Jogos Digitais. Revista de Direito, Tecnologia e Internet, v. 8, n. 2, 2023. Disponível em: https://www.revistas.unaerp.br/index.php/dti/article/view/1029. Acesso em: 25 jun. 2024.

Sobre o(a) autor(a)
Gabriella Pedroso Pereira
Advogada inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP 512023), graduada em Direito pelo Centro Universitário Moura Lacerda. Possuo experiência abrangente em diversas áreas do direito, com especialização em Direito do...
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