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Polêmica do exame da Ordem dos Advogados do Brasil

Não é justo a pessoa fazer o curso com tanto sacrifício e não poder usufruir de sua profissão. Claro que também não é justo aprovar uma pessoa que não está preparada para encarar os desafios da nossa profissão, que não são poucos.

Direito Civil | 22/jan/2009

Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, frase assustadora e frustrante para muitos e gratificante para outros.

Este assunto é de sumo interesse, principalmente para os bacharéis em Direito,  que infelizmente ao concluírem o curso com muito sacrifício, ainda passam por dificuldades para conseguirem uma oportunidade no mercado de trabalho, pois não obtiveram êxito no Exame da OAB.

Bom, iniciarei meu artigo relatando esta questão. Sabemos que para exercer a profissão de advogado é necessária a tão sonhada aprovação no exame da ordem, ou seja, é necessário conhecimento apropriado, habilidade e o mais importante de tudo, tranqüilidade na hora da resolução das questões da prova.

Muitos bacharéis têm dificuldades de aprovação no referido exame e dificuldades numa colocação no mercado de trabalho, isto é,  não conseguem uma boa colocação profissional, pois não são considerados estagiários, tendo em vista que não estão fazendo mais o curso (o mesmo já está concluído) e ainda não são considerados advogados, pois não foram aprovados no exame da ordem.

Partindo deste ponto inicia-se a luta cotidiana e a maioria dos bacharéis acabam não sendo aprovados, pois começam a se culparem em verem alguns colegas de sala obtendo êxito, enquanto outros não, causando desta forma uma grande frustração e cobrança da própria pessoa, onde o fardo desta cobrança e culpa chega a tanto que afeta o psicológico, acarretando desta forma a reprovação.

Acontecendo o relatado acima vai complicando e agravando ainda mais a situação, pois conforme mencionei o emocional entrará em jogo e com ele a dificuldade aumenta muito mais, pois a tranqüilidade é um dos tópicos essenciais para a devida e gloriosa aprovação.

Claro que é necessário e essencial o conhecimento, mas quem disse que as pessoas que são reprovadas não possuem o conhecimento necessário?
A reprovação não significa incapacidade do candidato, pois a maioria deles já trabalha em escritórios renomados de advocacia e já atuam no seu dia a dia no ramo jurídico.

O problema é que estas pessoas começam a se cobrarem do porque da reprovação. Muitas vezes se comparam a colegas de faculdade e chegam até sentirem-se incompetentes, o que não é verdade.

Temos a noção de que em cada esquina há uma faculdade de Direito e que o ensino hoje está muito precário, mas precisamos fazer alguma coisa para reverter esta situação, bem como ajudar aquelas pessoas que tem muito potencial a vencer este obstáculo e realizarem seu sonho.

Não é justo a pessoa fazer o curso com tanto sacrifício e não poder usufruir de sua profissão. Claro que também não é justo aprovar uma pessoa que não está preparada para encarar os desafios da nossa profissão, que não são poucos.

É preciso alguma providência, para que de alguma forma estas pessoas com potencial consigam uma colocação no mercado de trabalho, independente de terem sido aprovadas no exame da ordem, sem nos esquecermos que para o exercício da advocacia sempre será necessária a aprovação no exame, porém para aqueles que não lograram êxito em serem aprovados ainda possam ao menos trabalhar na área jurídica e serem reconhecidos pelo seu trabalho, esforço e competência e não pelo fato de possuírem a carteira ou não.

Para muitos estas pessoas não têm a valorização devida, porém no meu ponto de vista tem muita gente boa sem uma oportunidade, muita gente competente sendo desperdiçada, pelo fato de não terem sido aprovadas ainda no exame. Devemos entender que na maioria das vezes isto ocorre, ou seja, a reprovação decorre de algum bloqueio emocional que nós mesmos criamos.

É obvio que se faz necessário à aprovação no exame para exercer a profissão e que não há a menor possibilidade de ser exercida sem a aprovação no exame da ordem, porém o que eu pretendo deixar claro é que estas pessoas também têm direito de uma colocação profissional e estas independente de qualquer coisa têm seu valor, a sua competência, elas apenas precisam de motivação para continuar batalhando e não se sentirem excluídas por não terem sido aprovadas ainda.

Para estas pessoas eu recomendo que elas tenham mais confiança e segurança nelas mesmas e que acreditem no seu potencial, pois todos nós somos capazes, basta acreditarmos, lutarmos e principalmente nunca desistirmos.

Ser advogado é antes de tudo estar preparado para qualquer desafio é ser completo por exercer a profissão escolhida e desejada e mais ainda, lutar pelos direitos de uma sociedade buscando uma vida mais justa e correta para todos, sempre acreditando em si mesmo e nunca desistindo com o surgimento dos obstáculos que enfrentamos constantemente.

É preciso muita garra, pois a advocacia é uma luta constante e brilhante por um mundo melhor e por vários ideais de variadas culturas e sociedades.

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