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Acordos celebrado na Justiça Comum quitam parcelas de ação trabalhista no mesmo período

Fonte: TST - Tribunal Superior do Trabalho

A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho extinguiu processo em que um representante comercial buscava reconhecimento de vínculo de emprego em relação aos períodos correspondentes a acordos celebrados na Justiça Comum com a Distribuidora de Medicamentos Santa Cruz Ltda., de Curitiba (PR). O entendimento foi de que a sentença homologatória de acordo proferida no juízo cível, que conferiu plena e geral quitação de todos os direitos decorrentes de extinto contrato de prestação de serviços, produz coisa julgada na esfera trabalhista.

Vínculo de emprego

Na reclamação trabalhista, o representante disse que havia sido admitido em 1995 como entregador e vendedor e dispensado em 2010. Segundo ele, a distribuidora de medicamentos o obrigou a constituir empresa fictícia para mascarar a natureza da relação mantida e evitar a aplicação da legislação trabalhista.

Mas, no juízo cível, ele e a empresa haviam firmado dois acordos judiciais de cunho comercial relativos aos períodos de 1996 a 2000 e de 2000 a em processos que tramitaram, respectivamente, na 1ª Vara Cível da Comarca de Palhoça (SC) e na 1ª Vara Cível de São José (SC). Pelos acordos, foi reconhecida a existência de contrato de representação comercial da distribuidora com a empresa de representação da qual o profissional era sócio.

A empresa, em sua defesa, pretendia compensar ou deduzir da condenação os valores quitados a título de indenização na Justiça Comum. Sustentou, ainda, que, nos acordos homologados nas varas cíveis, foi estabelecido que a relação jurídica entre as partes ficaria totalmente quitada. Assim, o processo deveria ser extinto sem resolução do mérito em relação aos períodos que haviam sido objeto do acordo.

Dedução

O vínculo de emprego foi reconhecido pelo juízo da 2ª Vara do Trabalho de Florianópolis (SC). No exame de recurso ordinário, o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) autorizou a compensação dos valores já apgos, por entender que, apesar de serem de origem cível, seu pagamento teve origem no mesmo fato do qual decorriam as verbas trabalhistas deferidas na ação em exame. No entanto, rejeitou o argumento da quitação ampla, com o fundamento de que as partes dos processos eram diferentes: na Justiça Comum, a ação fora ajuizada pela pessoa jurídica e, na do Trabalho, pela pessoa física.

Coisa julgada

O relator do recurso de revista da distribuidora, ministro Alexandre Ramos, observou que, de acordo com o TRT, os contratos de representação comercial haviam sido firmados para “obstar a aplicação da legislação trabalhista” e, portanto, eram nulos.  O Tribunal Regional registrou ainda que o profissional era o único empregado, nos dois acordos homologados judicialmente, recebeu indenização decorrente das verbas trabalhistas pleiteadas na atual demanda.

Para o relator, nesse quadro, conclui-se que os acordos foram firmados pela pessoa física. Nessa circunstância, configura-se a identidade de partes, de pedidos e de causa de pedir e, assim, o reconhecimento da coisa julgada. “A presente ação trabalhista e os acordos judiciais homologados diziam respeito à mesma relação jurídica de direito material”, explicou.  

O ministro ressaltou que não é possível rediscutir os mesmos fatos em outro processo se houve solução definitiva em processo anterior. Para esse fim, a sentença homologatória de transação ou de conciliação equivale à sentença de mérito, para todos os efeitos legais.

A decisão foi unânime. Após a publicação do acórdão, o trabalhador interpôs embargos de declaração, ainda não examinados pelo relator.

Processo: RR-1960-08.2011.5.12.0014 

RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA
RECLAMADA (DISTRIBUIDORA DE
MEDICAMENTOS SANTA CRUZ LTDA.). RECURSO
INTERPOSTO DE DECISÃO PUBLICADA ANTES
DA VIGÊNCIA DAS LEIS 13.015/2014 E
13.467/2017.
1. NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL. DECISÃO REGIONAL
FUNDAMENTADA. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO
CONHECIMENTO.
I. O Tribunal Regional atendeu ao
comando dos arts. 832 da CLT, 489 do
CPC/2015 (art. 458 do CPC/1973) e 93,
IX, da CF/1988, uma vez que a decisão
recorrida encontra-se fundamentada.
II. Na verdade, a parte Recorrente se
insurge contra o posicionamento adotado
pela Corte de origem no exame da matéria
controvertida. Contudo, a discordância
quanto à decisão proferida, a má
apreciação das provas ou a adoção de
posicionamento contrário aos
interesses da parte não são causa de
nulidade processual, nem ensejam ofensa
aos arts. 832 da CLT, 489 do CPC/2015
(art. 458 do CPC/1973) e 93, IX, da
CF/1988. III. Recurso de revista de que
não se conhece.

Fonte: TST - Tribunal Superior do Trabalho

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