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Apontamentos sobre a obra "Categorias" de Aristóteles

Breve análise da vida e obra do filósofo Aristóteles e em especial do livro "Categorias".

Direito Civil | 19/set/2006

"É lícito afirmar que são prósperos os povos cuja legislação se deve aos filósofos. "


Vida e Obra de Aristóteles

ATENAS 367 OU 366 a.C. Ao grande centro intelectual e artístico da Grécia no século IV a.C. chega um jovem de cerca de dezoito anos, proveniente da Macedônia.

Como muitos outros, vem atraído pela intensa vida cultural da cidade que lhe acenava com oportunidades para prosseguir seus estudos. Não era belo e para os padrões vigentes no mundo grego principalmente na Atenas daquele tempo, apresentava características que poderiam dificultar-lhe a carreira e a projeção social.

De um lado, Isócrates, seguindo a trilha dos sofistas, propunha-se a desenvolver a "virtude" ou capacitação para lidar com os assuntos relativos a polis, transmitindo-lhe a arte de "emitir opiniões prováveis sobre coisas úteis".

Ao contrário de Isócrates, Platão ensinava que a base para a ação política como, aliás, para qualquer ação deveria ser a investigação científica, de índole matemática.

Na Academia, que fundara em 387 a.C., mostrava a seus discípulos que a atividade humana, desde que pretendesse ser correta e responsável, não poderia ser norteada por valores instáveis, formulados segundo o relativismo e a diversidade das opiniões; requeria uma ciência (episteme) dos fundamentos da realidade na qual aquela ação está inserida.

Por trás do inseguro universo das palavras sujeitas à arte encantatória e à prestidigitação dos retóricos , o educando deveria ser levado, por via do socrático exame do significado das palavras, à contemplação, no ápice da ascensão dialética, das essências estáveis e perenes: núcleos de significação dos vocábulos porque razão de ser das próprias coisas, padrões para a conduta humana porque modelos de todos os existentes do mundo físico.

Para além do plano da palavra-convenção dos sofistas e de Isócrates, Platão apontava um ideal de linguagem construída em função das idéias, essas justas medidas de significação e de realidade. Diante dos dois caminhos o de Isócrates e o de Platão , o jovem chegado da Macedônia não hesita: ingressa na Academia, embora a advertência da inscrição de que ali não devesse entrar "quem não soubesse geometria". O novo tirano, Dionísio II, talvez pudesse ser convencido a adotar uma linha política mais justa e condizente com os interesses gerais do mundo helênico. O jovem que viera da Macedônia ingressa, assim, numa Academia na qual a figura principal era, no momento, Eudoxo , matemático e astrônomo que defendia uma ética baseada na noção de prazer.

De pura raiz jônica, a família de Aristóteles estava tradicionalmente ligada à medicina e à casa reinante da Macedônia. Seu pai, Nicômaco, era médico e amigo do rei Amintas II, pai de Filipe. Estagira, a cidade onde Aristóteles nasceu, em 384 a.C., ficava na Calcídica e, apesar de estar situada distante de Atenas e em território sob a dependência da Macedônia, era na verdade uma cidade grega, onde o grego era a língua que se falava. A vida de Aristóteles e pode-se dizer que até certo ponto sua obra estará marcada por essa dupla vinculação: à cultura helênica e à aventura política da Macedônia. Ao ingressar na Academia platônica que viria a freqüentar durante cerca de vinte anos , Aristóteles já trazia, como herança de seus antepassados, acentuado interesse pelas pesquisas biológicas.

Ao matematismo que dominava na Academia, ele irá contrapor o espírito de observação e a índole classificatória, típicas da investigação naturalista, e que constituirão traços fundamentais de seu pensamento. Por outro lado, embora de raízes gregas, ele não era cidadão ateniense e estava estritamente ligado à casa real da Macedônia. Essa condição de meteco estrangeiro domiciliado numa cidade grega explica que ele não viesse a se tornar, como Platão, um pensador político preocupado com os destinos da pólis e com a reforma das instituições. Diante das questões políticas, Aristóteles assumirá a atitude do homem de estudo, que se isola da cidade em pesquisas especulativas, fazendo da política um objeto de erudição e não uma ocasião para agir.

Em 347 a.C., morrendo Platão, Aristóteles deixa Atenas e vai para Assos, na Ásia Menor, onde Hérmias, antigo escravo e ex-integrante da Academia, havia se tornado o governante. É possível que a escolha de Espeusipo, sobrinho de Platão, para substituir o mestre na direção da Academia, tenha decepcionado Aristóteles; sua destacada atuação naqueles vinte anos parecia apontá-lo como o mais apto a assumir a chefia. Três anos depois que Aristóteles havia se transferido para Assos, Hérmias foi assassinado. Saindo de Assos, Aristóteles permanece dois anos em Mitilene, na ilha de Lesbos. Filipe, em 343 a.C., chama Aristóteles à corte de Pela e confia-lhe importante missão: a de educar seu filho, Alexandre. Chega ao fim a autonomia das cidades-Estados que caracterizara a Grécia do período helênico. Nada mais justificava a permanência de Aristóteles na corte de Pela. Do hábito aliás comum em escolas da época que tinham os estudantes de realizar seus debates enquanto passeavam, teria surgido o termo peripatéticos (que significa "os que passeiam") para designar os discípulos de Aristóteles. Ao contrário da Academia, voltada fundamentalmente para investigações matemáticas, o Liceu transformou-se num centro de estudos dedicados principalmente às ciências naturais.

De terras distantes, conquistadas em suas expedições, Alexandre enviava ao ex-preceptor exemplares da fauna e da flora que iam enriquecer as coleções do Liceu. Mas o biologismo era mais que uma perspectiva de escola: tornou-se marca centra] da própria visão científica e filosófica de Aristóteles, que transpôs para toda a Natureza categorias explicativas pertencentes originariamente ao domínio da vida. Em particular, a noção de espécies fixas sugerida pela observação do mundo vegetal e animal exercerá decisiva influência sobre a física e a metafísica aristotélicas, na medida em que se reflete na doutrina do movimento elaborada por Aristóteles.

Apesar da estima que Alexandre parece ter devotado sempre a seu antigo mestre, uma barreira os distanciava: Aristóteles não concordava com a fusão da civilização grega com a oriental. Aristóteles estava profundamente convencido de que o regime político dos gregos era inseparável de seu temperamento, sendo impossível transferi-lo para outros povos. Depois da morte de Alexandre, em 323 a .C ., Acusado de impiedade, deixou Atenas e refugiou-se em Cálcis, na Eubéia. Aí morreu no ano de 322 a.C.


Filosofia de Aristóteles

Partindo como Platão do mesmo problema acerca do valor objetivo dos conceitos, mas abandonando a solução do mestre, Aristóteles constrói um sistema inteiramente original. Os caracteres desta grande síntese são:

1. Observação fiel da natureza Platão, idealista, rejeitara a experiência como fonte de conhecimento certo. Aristóteles, mais positivo, toma sempre o fato como ponto de partida de suas teorias, buscando na realidade um apoio sólido às suas mais elevadas especulações metafísicas.

2. Rigor no método Depois de estudas as leis do pensamento, o processo dedutivo e indutivo aplica-os, com rara habilidade, em todas as suas obras, substituindo à linguagem imaginosa e figurada de Platão, em estilo lapidar e conciso e criando uma terminologia filosófica de precisão admirável. Pode considerar-se como o autor da metodologia e tecnologia científicas.

3. Unidade do conjunto Sua vasta obra filosófica constitui um verdadeiro sistema, uma verdadeira síntese.


Obra: Categorias

O propósito da obra de Aristóteles é nos revelar a forma correta e adequada de raciocínio, o conhecimento da lógica, que o faz por meio da estrutura do pensamento e da linguagem, tomando por base também, as figuras do raciocínio.

Analisa o método do pensamento ideal a partir da linguagem, apontando que para isso é indispensável ao conhecimento do nome e a existência da coisa, acreditando ser condição sine qua non para o próprio pensamento, que na ausência desses elementos, ele não é possível. O que nos torna possível entender que para o autor, o pensamento ideal e correto se faz pela união dos seus elementos formadores, o nome e a existência da coisa.

Revela-nos também que as palavras somente terão significado somente quando estiverem agrupadas a uma proposição, considerando que sua estrutura reflete a estrutura do próprio ser, ou seja, que as palavras quando se encontram isoladas nada refletem, ou não significam nada em si mesmas. Sustenta que uma proposição gera uma conseqüência, uma qualidade característica (um predicado P) que pode ser dado ou negado a um sujeito, que o intitula de S, admitindo que o próprio ser, ou em suas palavras, ente, é um sujeito com predicados.

O autor revela-nos também em sua obra as categorias do ser, do pensamento e da linguagem, que dentre essas considerações admite ser a ciência possível, ou seja, quando o ser passa pelo crivo do pensamento adequado, utilizando-se de uma linguagem correta, pode-se dizer que a ciência pode ser praticada.

Sustenta em sua obra que um estudo profundo acerca da linguagem nos proporciona um vasto conhecimento, partindo da distinção existente entre o sujeito e o predicado, sendo necessário ainda, fazer a distinção entre os próprios predicados?

Manifesta sua convicção de que existem certos termos na linguagem que sempre tem o mesmo sentido, chamando-os de sinônimos, enquanto outros, apesar de se expressarem de forma idêntica, são comumente utilizados com sentidos totalmente diversos da própria palavra.

Utiliza-se de alguns termos para exemplificar essa diversidade de sentidos como claro, branco, etc, que empregados a diferentes objetos, imprimem uma conotação diferente, ou seja, imprime um sentido diverso, designando-os de equívocos.

Admite ainda a existência de um terceiro tipo, chamando-o de análogo, que são aqueles que se referem a múltiplos significados, em razão de existir alguma semelhança ou relação entre eles. Porém, há sempre uma ligação geral que une entre si todos esses sentidos. Assim, para que o ser possa ser tomado como objeto de uma ciência é imprescindível estudar os diversos significados em que se pode exprimir esse ser, tornando-se assim, possível de se conhecer o real fundamento que confere uma certa unidade a tudo que é, o silogismo, que é a atividade do pensamento que consiste em concatenar juízos e deles obter uma conclusão, é a base fundamental da lógica de Aristóteles.

A estrutura do silogismo é a dedução, que permite por meio das verdades conhecidas se chegar a outras verdades oriundas das primeiras. É composto por três proposições (maior, menor e conclusão).

Aristóteles organizou regras para o raciocínio para garantir a veracidade das conclusões, com a finalidade de evitar erros e falsidade, entretanto, ele não assegura um conteúdo verdadeiro, posto que a linguagem pode ter ou não relação entre o nome e a coisa escolhida.

Com a apresentação desta obra, o autor demonstra como chegar à verdade sem cometer enganos, utilizando-se do pensamento lógico. Não abordou na verdade com o conteúdo dos pensamentos, mas a forma com que eles devem ser organizados para alcançar um raciocínio lógico.


                                                                   "Nosso caráter é resultado de nossa conduta."

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