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TST confirma responsabilidade solidária entre cooperativas

Direito Trabalhista | 24/jun/2005

Fonte: TST - Tribunal Superior do Trabalho

A configuração de grupo econômico também pode ocorrer no âmbito das cooperativas de trabalho. A hipótese foi reconhecida pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao negar agravo de instrumento à Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais Ltda. A decisão teve como base o art. 2º, §2º, da CLT e confirmou a condenação da cooperativa como responsável solidária pelos valores devidos a um ex-empregado (assistente jurídico) da Cooperativa Agropecuária de Curvelo Ltda., ligada à primeira.

Segundo o dispositivo da legislação trabalhista, “sempre que uma ou mais empresas, tendo embora cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas”.

No caso, o trabalhador ingressou em 2002 com ação na Vara do Trabalho de Curvelo (MG) a fim de obter a rescisão indireta da relação de emprego, sob a alegação de retenção de salários, ausência de recolhimentos previdenciários e depósitos do FGTS. A soma das parcelas devidas foram estipuladas em R$ 23,8 mil e o assistente jurídico indicou a Cooperativa Central como responsável solidária pelo débito, devido ao fato da Cooperativa de Curvelo ter dívida superior a R$ 10 milhões, tendo seu patrimônio comprometido como garantia.

A primeira instância reconheceu a existência do grupo econômico e deferiu a rescisão indireta, deixando a fixação do débito para apuração em posterior liquidação. A demonstração da sujeição do trabalhador a normas padronizadas pela Cooperativa Central, que também fiscalizava as tarefas do assistente levou a segunda instância a confirmar a sentença da Vara do Trabalho, sobretudo a responsalidade solidária.

O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (com jurisdição em Minas Gerais) registrou em sua decisão que “a minuciosa análise dos estatutos demonstrou a existência de intuito comum das cooperativas na obtenção de melhor resultado econômico no exercício de suas atividades”.

No TST, a juíza convocada Perpétua Wanderley (relatora) considerou acertada a aplicação do art. 2º, §2º, da CLT ao caso e consequentemente a responsabilidade solidária. “O conjunto de provas revela a existência de ingerência da Cooperativa Central sobre a Cooperativa singular (Curvelo), traduzindo-se em atos de direção, controle e administração, além de uma relação de coordenação, normatizada em previsão estatutária de obrigação da Cooperativa singular subscrever quotas-partes do capital social da Cooperativa Central”, observou.

A responsabilidade solidária implica na possibilidade do assistente jurídico pedir a quitação de seu débito por qualquer um dos obrigados, ou a Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais ou a Cooperativa Agropecuária de Curvelo.

Fonte: TST - Tribunal Superior do Trabalho

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