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A advocacia na prateleira dos supermercados

O escritório Axess Law vai abrir, mais uma “loja” de advocacia dentro do Walmart - sendo que, quatro que já estão em funcionamento este ano. As “lojas” ficam abertas todos os dias da semana, até às 20h.

Direito Civil | 08/jun/2014

Uma das maiores corporações no mundo, com receitas anuais de US$ 476 bilhões, tornou-se a maior companhia do mundo, graças a um modelo de negócios muito difundido, oferecer todo tipo de produto popular, a baixos preços, nos inúmeros departamentos, incluindo farmácia, padaria e frutaria, o Walmart tem várias lojinhas de conceito popular, como salão de cabeleireiro, loja de fotografia, lanchonete, quiosque para preenchimento do imposto de renda, ótica com oftalmologista de plantão etc.

Mas agora, o Walmart do Canadá tem mais um tipo de serviço, lojinhas de serviços jurídicos, a baixo custo.

O escritório Axess Law vai abrir, mais uma “loja” de advocacia dentro do Walmart — sendo que, quatro que já estão em funcionamento este ano. As “lojas” ficam abertas todos os dias da semana, até às 20h. Os horários mais movimentados são, exatamente, das 17h às 20h, nos dias úteis, e nos fins de semana.

Assim, como nos corredores e nas inúmeras prateleiras do Walmart, nos inúmeros produtos: eletrônicos, roupas, produtos para casa, brinquedos, alimentos e tudo o mais que o Walmart disponibiliza, agora temos os serviços do escritório de advocacia, apresentados com uma “etiqueta” de preços “populares”. Por exemplo, um testamento por C$ 99 (dólar canadense), a autenticação de um documento, C$ 25, e autenticação de documentos adicionais, C$ 19, entre outros.

De acordo com Lena Koke e Markis Morris, fundadores do Axess Law, dois colegas de faculdade de Direito, a rentabilidade e viabilidade do escritório vem do alto volume de serviços. Entre os fatores que mais popularizam esta modelo de negócios, estão os preços acessíveis, horários alternativos, fora do horário comercial padrão, em que a maioria das pessoas não está trabalhando e, principalmente, um ambiente informal e familiar, no que, os clientes do Walmart podem entrar e transita no escritório com os seus carrinhos de compras, convivendo com os anúncios constantes das promoções do Hipermercado.

Em geral, as pessoas não se sentem à vontade em um escritório de advocacia tradicional, pelo que, nos escritórios “populares” no Walmart, o que reina é a informalidade sem qualquer tipo de intimidação social, que naturalmente advém do mundo jurídico.

Desta feita, o que se procura entregar, são serviços diferenciados adaptados ao cotidiano das pessoas, em que é possível entrar em uma ampla porta com os carrinhos de supermercado, de bermudas, em total ambiente descontraído e escolher em uma “prateleira” o serviço que necessita.

Essa notícia contrasta com a realidade brasileira dos advogados no Brasil, em que todos os dias lançam-se no mercado, mais profissionais causídicos, “infestando” o mercado de uma superpopulação jurídica, tendo como última fronteira, tão e somente, o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, este, última trincheira de um mercado totalmente saturado.

A Lei 8906/94, o Estatuto da Advocacia, é uma normativa basilar que condena ao ostracismo o Advogado comum, aquele profissional que depende, única e exclusivamente, de seu trabalho, exclusivo, diferentemente das grandes bancas brasileiras e multinacionais, em que tudo se pode, o advogado “tipo” brasileira, fica limitado às Leis que limitam o seu desenvolvimento profissional, não pode isto, não pode aquilo, mais aquilo, etc, enquanto que, as grandes bancas, vão aviltando, sem qualquer constrangimento, quaisquer regras de conduta e comportamento ético que deveria ser destinado ao oferecimento dos serviços jurídicos na nossa sociedade, como captação indireta e ilegal de clientela, as condutas que mais condenam ao “óbito” o causídico trabalhador, guerreiro do papel, que labuta em uma “guerra” que sabe que não pode vencer, mas agarra-se em mais um dia de sobrevivência, até quando...

Ora, o que vemos no nosso caso, é uma Ordem profissional, considerada uma das maiores do mundo, com uma corrente política fortificada, mas que nada tem acrescentado de valor ao advogado diarista, a maioria esmagadora dos profissionais atuantes no mercado jurídico brasileiro, maculando de limites a atuação desses profissionais, relegando-os a uma atuação cada vez mais insignificante, em detrimento do crescimento exponencial das grandes bancas jurídicas.

Basta para tanto, remeter-nos a publicações da seara jurídica, que vinculam matérias sobre o crescimento do mundo jurídico, bancas que vão revezando-se no recorde da composição dos seus quadros de profissionais causídicos, bancas multinacionais que se instalam no nosso mercado com lastro em protocolos de reciprocidade e cooperação, mas que nada aliviam o caos diário dos profissionais “comuns” do mundo advocatícios, as centenas de milhares de advogados que levantam-se diariamente com a esperança de sobrevivência com um suspiro de mais um dia de batalha, esperando apenas, que no dia seguinte possa novamente repetir este dilema, pois a esperança de um dia acordar com o arco-íris na visão de sua janela, não habita mais os seus sonhos mais remotos. 

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