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O comércio internacional como forma de solução de conflitos

Breve análise sobre as relações comerciais internacionais e seus reflexos no campo dos conflitos armados.

Direito Internacional | 18/jul/2003

C ientistas políticos, intelectuais e literatos, terão um árduo trabalho doravante: terão eles que reformular séculos de conceitos já firmados no âmago da concepção de Estado Nacional.

Assunto tratado até de maneira obsessiva, a atual globalização tem posto em questão preceitos firmemente calcados na sociologia mundial; mesmo a outrora tão defendida soberania perde hoje espaço para um plano no qual as fronteiras não são mais tão bem limitadas.

Diz-se atual globalização pois esta é a quarta por que estamos passando; a primeira remonta às grandes galeras do Império Romano, que dilataram a outros povos sua língua, moeda, direito e comércio. A segunda ocorreu na época das grandes navegações, quando através das naus descobriram os novos continentes e travou-se comércio intenso com o oriente (Índias). Já a terceira deflorou após as guerras napoleônicas, com o fim do mercantilismo e o advento da democracia política. Tivemos aí a criação de novos mercados, especialmente com as antigas colônias européias da África e da Ásia.

A quarta globalização, porém, embora considerada a partir do pós-guerra, com a criação de verdadeiros centros de poder, como a ONU, BIRD e OMC, ganha força após 1989, quando temos a queda do Muro de Berlim e a veloz disseminação das informações pelos meios eletrônicos, os quais cada vez mais se tornam difundidos entre os povos.

O comércio internacional assim entendido assume papel importantíssimo na descentralização do poder dos Estados, na medida em que as fronteiras começam a desaparecer e novos preceitos surgem ditando regras, quase que coercitivamente, de um país a outro. Tais regras obrigam-se uma sorte de Estados, lesando a soberania e valorizado a troca recíproca de interesses supranacionais. Desapareceu o conceito de empresa nacional, bem como a antiga política de se exportar apenas o excedente das produções. No Brasil, por exemplo, vimos diversas empresas transnacionais conquistarem mercados antes garantidos apenas às empresas brasileiras, ocorrendo situação semelhante em todo o mundo.

É mister que se saliente a impossibilidade no mundo hodierno de uma produção nacional voltada apenas para os nacionais, haja vista os exemplos de embargos econômicos sofridos por Cuba ao adotar uma política extremamente nacionalista e isolada do mundo.

Atualmente, países como o Brasil buscam mercados em outras fronteiras, como forma de não sucumbirem economicamente, mas não deixando de manter certas reservas protecionistas, como por exemplo o MERCOSUL que, embora seja uma organização supranacional, tenta proteger a economia de capitais meramente especulativos.

À medida que as normas assumem o caráter supranacional, influindo decisivamente até em decisões políticas e sociais, aliadas à velocidade com que as informações são trocadas, torna-se imprescindível uma verdadeira interação e conexão entre os vários países, o que na prática vem se tornando cada dia mais comum. Tal interação tem se dado pelo intermédio de uma língua e uma moeda (Inglês e Dólar) utilizados de forma padrão no contato entre as diversas culturas, facilitando a aproximação entre países mesmo de povos nunca antes imaginados como parceiros comerciais.

O meio de contato entre estes povos hoje dá-se via satélite, por meios eletrônicos, Internet e as interações são realizadas em milésimos de segundos, de modo que hoje não se vive mais apenas a se ter contatos com o pequeno mundo em que antes vivia-se.

Cada vez mais complexas as negociações, torna-se evidente o termo “Aldeia Global” e não a convivência apenas com os compatriotas. O homem moderno vive em contato diário com pessoas as mais distantes e distintas como forma de verdadeira necessidade da vida atual. Para tanto faz-se necessário estreitar os laços de amizade, tolerância (mesmo a culturas muito diversas) e interesses comerciais e políticos. A nação que não estiver conectada à “Aldeia Global” além de estar na contramão da história sofrerá represálias econômicas absolutamente indesejadas.

Destarte, não há que se falar na existência de um comércio internacional forte sem a imprescindível aproximação entre os mais diversos povos através, consoante ressaltado, da velocidade da troca de informações e de língua e moeda utilizados padronizadamente, alcançando o entendimento entre as nações e quiçá a tão augurada paz mundial.

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