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Incerteza do sustento com fechamento do Lixão da Estrutural (DF) assusta catadores

Direito Trabalhista | 08/nov/2017

Fonte: TST - Tribunal Superior do Trabalho

O lixão da Cidade Estrutural é bem conhecido em Brasília e provavelmente em todo o mundo. Considerado o maior lixão a céu aberto da América Latina, as estradas que levam até lá são familiares a 5% dos 40 mil habitantes da cidade, pois é de lá que eles tiram a principal renda da família.

Expostos a agentes biológicos nocivos à saúde, muitos catadores se arriscam entre os caminhões abarrotados de resíduos, sufocados pelo ar dos gases provenientes de decomposição de produtos descartados, para ganhar cerca de R$ 400 ao mês para sobreviver. Com o encerramento do local previsto para este mês, a incerteza assombra os catadores que sobrevivem da coleta.

Tragédias

Com um pouco mais de cinco décadas de existência, o Lixão da Estrutural já foi palco de muitas tragédias. Os perigos vão desde os riscos à saúde até a enorme possibilidade de ser atropelado pelos caminhões de coleta. De acordo com coletores, lá se encontra de tudo, desde materiais que podem ser reaproveitados e até corpo de criança recém-nascida. “Já vi muitos caminhões passando por cima da perna de coletores”, afirma a catadora Rosilene Gomes, “Um dia eu mesma encontrei uma criança dentro de um saco preto. É triste, tem que ter muito sangue nos olhos para trabalhar aqui”.

Apesar do risco, a maioria deles não tem preparo ou opção para mudar de vida e veem no lixo a única alternativa de sobrevivência. “ Não só para mim, mas para outros catadores, o lixão representa o sustento da família”, diz o catador Nei Lima. Ana Cláudia de Lima, presidente da Associação Ambiente, trabalha no lixão para sustentar os estudos dos filhos na esperança de mudar de vida. “Não tive oportunidades, mas me orgulho do que sou hoje e busco por meio do lixo dar a oportunidade que não tive aos meus filhos”, diz a catadora.

Trabalho infantil

Além de todos os riscos e perigos na rotina da profissão de catadores não regularizados, o trabalho infantil também faz parte da realidade dessa atividade. De acordo com o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU-DF), no primeiro semestre de 2017 foram registrados mais de 60 jovens e adolescentes trabalhando no lixão.

Como parte do acordo com o governo do Distrito Federal, foi aprovada uma lei que destina uma bolsa de R$ R$ 360 a catadores, como forma de indenização pela diminuição da demanda de resíduos em função da desativação gradual do lixão. Com a mudança, metade dos cerca de 2.500 catadores foram cadastrados e serão prestadores de serviços públicos. Segundo o diretor técnico da SLU, os catadores trabalharão em galpões com proteção do sol, esteiras, refeitórios e toda a estrutura que não existe no atual lixão. “Eles vão ter o potencial de aumentar o trabalho e a renda”, garante.

Fonte: TST - Tribunal Superior do Trabalho

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