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Algumas explicações sobre o mundo atual na visão de Tocqueville

Alexis de Tocqueville se preocupa com a liberdade e com a dignidade da pessoa humana; qual a forma de governo que protege a liberdade e a dignidade, bem como a sociedade que garanta estes dois valores?

Direito Civil | 03/jul/2008

No pensamento de Alexis de Tocqueville, a linha de produção iguala os sujeitos – forma o proletariado moderno, porém não eleva os homens culturalmente. São brutos. Alguns homens exploram os outros em demasia. O Brasil é um país que não investe como deveria investir em cultura. Qual é a porcentagem da população brasileira que possui acesso ao Ensino Superior? Qual a porcentagem da população brasileira que possui acesso a um curso de pós-graduação, seja “lato sensu” ou “stricto sensu”?

Isso nos leva a fazer algumas indagações. Muito se critica, em especial no tocante às Faculdades de Direito, um excesso de Instituições que oferecem cursos de nível superior; mas será que o problema está no excesso ou na falta de fiscalização governamental? Será que o problema não é a falta de investimento público na educação de base? Será que o problema não é a busca incessante e desmedida de lucro? Será mesmo que o problema não é a falta de qualidade nas propostas educacionais? Será que o problema não é causado por todas as causas acima descritas, em conjunto? Mas este é um tema para outra conversa.

Tocqueville preceitua que não há mais senhor e servo (estamos na civilização da igualdade horizontal). Forma-se uma servidão com isso; não há mais o senhor que é responsável pelo servo. Os pobres ficam entregues a sua própria miséria. A civilização da igualdade produz um novo selvagem e uma outra aristocracia, agora eminentemente econômica.

Alexis de Tocqueville se preocupa com a liberdade e com a dignidade da pessoa humana; qual a forma de governo que protege a liberdade e a dignidade, bem como a sociedade que garanta estes dois valores? Estamos diante de uma forma de governo e de um tipo de sociedade, que é histórico.

A liberdade é elemento necessário para elevar a dignidade humana. A dignidade é um valor supremo, invencível.

A igualdade tem uma força irresistível, que é a igualdade de oportunidade; isso é fonte sobre os homens e Tocqueville vê isso na América. Para este, democracia é igualdade de oportunidades, sendo o fenômeno democrático é inevitável.

O bem comum seria aquele que privilegiaria o indivíduo; desta forma, a lei protege e igualdade. As leis vêm no sentido de contrapeso ao risco democrático, pois visa barrar o individualismo exacerbado, esquecendo-se da comunidade.

Desta forma a sociedade moderna cria um tipo médio de homem, típica da sociedade de massa. Não há mais gênios, porque quase ninguém mais pode se dedicar aos estudos integralmente.

Os poderes políticos, econômicos e ideológicos estão nas mãos de poucos. Quem trabalha não está no jogo do poder. A democracia, portanto, formou uma aristocracia econômica e não moral – ricos que não se importam com ninguém e dominam o poder.

Para os antigos, a liberdade manifestava-se no público; para os modernos, ela se manifesta no privado. Por isso, invocar o antigo no moderno é ruim; não há como responsabilizar a sociedade atual pela pobreza gerada há anos. A sociedade deve ser corrigida pela economia, pela política e pelo direito. E isso tudo - não interessa se foi produzido pelos homens antigos - somente poderá ser corrigido pelos contemporâneos. É nossa tarefa, mesmo que seja uma amarga herança.

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