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Quando há manipulação no clero religioso

Intolerância religiosa, igrejas independentes usam táticas, não reconhecendo o pluralismo religioso.

Direito Civil | 03/jun/2008

Introdução

A Constituição Federal garante liberdade religiosa a todo cidadão brasileiro.

O artigo 5º da Constituição Federativa do Brasil no seu inciso VI – É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurada aos locais de culto e a suas liturgias.

Reforçando no inciso VIII, quando ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

Isso inclui o direito de escolher a religião que deseja e o de expressar as tradições e ritos da crença escolhida. Mas, em algumas comunidades onde ainda não se presente à mão do Estado, bandidos impõem suas próprias leis. E liberdade religiosa definitivamente não é prioridade entre elas.

Quadrilhas em diversas comunidades estão proibindo manifestações de umbanda, candomblé e expulsando donos de terreiros. A intolerância religiosa está ligada à expansão de igrejas independentes que nada têm a ver com as tradicionais denominações.

Seus líderes se intitulam pastores e exigem muito pouco da conversão: os bandidos podem continuar no crime e, mesmo assim, ostentar o título de “convertidos por Jesus”. Em troca, expulsam a “concorrência” de seus territórios.

Relatos de moradores e líderes comunitários e religiosos sobre o fim da liberdade religiosa nas comunidades carentes, apontam para proibição de pulseiras e cordões afros, de acordo com o presidente da Associação de Moradores do Dendê no Rio de Janeiro, Nilton Fernando, explica o milagre da multiplicação das igrejas independentes:

Todo mundo que tem um quartinho sobrando, abre um templo religioso – diz Nilton Fernando.

Igrejas independentes utilizam táticas semelhantes aos umbandistas para atraírem fiéis. Apesar da hostilidade contra os umbandistas, às igrejas independentes freqüentadas por traficantes adotaram rituais bem parecidos com as práticas de religiões afro – brasileiras. Os pastores prometem fechar o corpo e orar para evitar mal olhado e “opressões espirituais”.

Como os líderes das igrejas independentes estão interessados basicamente em aumentar seu rebanho, eles são pouco exigentes com a conversão. Não só permitem que os “batizados” continuem no crime, como ainda prometem proteção espiritual para eles serem bem – sucedidos em suas ações.

Um dos chefes da comunidade de Acari no Rio de janeiro, identificado apenas côo Máscara, freqüenta cultos e pede ajuda espiritual.

De acordo com moradores os traficantes levam suas armas para o pastor da comunidade orá-las, a comunidade fica revoltada com a promiscuidade entre fé e crime.

O número de armas aprendidas pela polícia nos últimos meses com adesivos religiosos reforça essa denúncia e moradores afirmam que bandidos freqüentam os cultos, enquanto seus seguranças, armados, ficam na porta do tempo.

SEM PODER DEMONSTRAR A PRÓPRIA FÉ

O presidente da Associação de Proteção dos Amigos e Adeptos do Culto Afro Brasileiro e Espírita APAACABE), Pai Luiz do Omolu de Sousa, confirma que já foi procurado por diversos religiosos que sofrem perseguições do tráfico:

São pessoas que estão sendo pressionadas a fechar seus terreiros. Não podendo nem pendurar roupas de santo na janela, porque os traficantes não permitem, tendo que secar no banheiro.

O Pai de santo tenta ajudar, mas esbarra no medo das pessoas:

Relatando que tenta falar com os presidentes de associações ou procurar a justiça, as pessoas desistem, as vítimas se calam, com medo de serem ainda mais perseguidas. Em certas comunidades não pode nem demonstrar de forma nenhuma sua crença.

Para que a polícia possa investigar e tomar providências é preciso que as pessoas denunciem. Os responsáveis pelas expulsões podem ser indiciados por crimes de ameaça e constrangimento ilegal.

Pesquisadora do Departamento de Geografia, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a professora Aureanice de Melo Corrrea, responsável por um estudo sobre as religiões afras, explica que os traficantes agem de duas formas: ou expulsam os seguidores da umbanda e do candomblé ou impõem normas que impedem a prática religiosa. Quando o traficante impõe que o terreiro só funcione aos sábados entre meio – dia e 14 horas, impede as manifestações da crença.

Segundo a pesquisadora, as igrejas independentes crescem nas comunidades carentes, porque oferece ascensão social e moral a uma população que se sente abandonada pelo Estado:

Ser cristão funciona como um passaporte para uma vida melhor. O pastor vai fazer a pessoa trabalhar mais, até porque tem dar contribuição, ele se livra do rótulo de favelado e passa a ser chamado de cristão, enquanto a umbanda ainda vem acompanhada de preconceito, com estigma de região de negro, de pobre.

Aureanice, afirma que é importante acabar com o preconceito contra as religiões afro:

A umbanda e o candomblé fazem parte da nossa história, da nossa cultura. É preciso levar essa discussão para a sociedade, para que a liberdade de religião passe a ser realmente respeitada.

IDEOLOGIA DA VISÃO CIENTÍFICA

O paradoxo mais chocante da ideologia científica atual é sua capacidade de fundir, ás vezes num mesmo parágrafo, o prestígio intelectual das precauções metodológicas pedagógicas que afirmam a inexistência de verdades científicas definitivas com o apelo à prosternação geral entre a autoridade inquestionável dessas mesmas verdades. Do ponto de vista sociológico, trata-se de misturar numa só pasta confusa, os três tipos de autoridades assinaladas por Max Webber, deveriam permanecer independentes entre si: a autoridade racional da ciência, a autoridade tradicional da religião estabelecida e a autoridade tradicional da religião.

A investigação científica é a renúncia ao dom de proferir verdades definitivas, quanto mais ao de transfigurá-la em leis e reivindicar a munição dos discordantes.

A própria natureza crítica e analítica do processo científico exige essa renúncia, com as aberturas permanentes e ilimitadas às objeções e críticas, que são alma da racionalidade científica. Essa renúncia que deu à classe dos cientistas os prestígios incalculáveis, valiosos da modéstia racional. Legitimar a menores o controle dos próprios costumes e o bom senso atuando no processo de fonte jurídica, os que legitimam a bebida alcoólica não utilizam-na? Visto que desde os primórdios da sociedade o consumo de álcool é feito costumeiramente, desde cerimônias gregas e bíblicas, seria legítimo o consumo de narcóticos, em doses controladas ou “usar socialmente” vedando seu consumo para menores? Efetivamente, qual a praticidade jurídica em afirmar que o costume é a viga de sustentação de certos hábitos, que refletem não só na órbita social, mas também no mundo jurídico? É crível supor que tornando outras drogas em lícitas, sejam quais forem, não obstante para o uso medicinal, como já praticado em alguns países.

INFLUÊNCIA NARCÓTICA E SUSTENTAÇÃO DO CLERO

Influência e os efeitos das drogas no ser humano, utilizando uma visão jurídica, as drogas lícitas na sociedade e o papel do costume como sustentação da licitude de certas drogas. As leis estão em consonância com o que a realidade pede? Normalizar hoje o uso de outras drogas e te – las seu uso consuetudinário no seio da sociedade? Legislativo e Judiciário irão prevalecer em nome da vida? A lei 10.409 de 11/01/02 será a chance de dar estudo necessário ao usuário e ao dependente? Qual a função em se estabelecer um nexo entre o costume e a permanência da licitude de certas substâncias?

Procurando entender essas e outras questões, observa-se que drogas criada para curar ou acalentar dores, acabam, por viciar e matar.

Uma nova dimensão do conceito clero apresenta uma nova mentalidade, a convicção de que era necessário remover toda desigualdade na retribuição dos titulares dos ofícios eclesiásticos, sendo necessário uma melhor distribuição na equação dos rendimentos a fim de se acabar com a estridente discriminação entre os cleros. A finalidade dos bens materiais não é apenas o sustento do beneficiado, mas o incremento mistério pastoral, não faltará nunca o suficiente para um sustento digno, não dependendo a remuneração do clero das paróquias ricas ou pobres, havendo dignidade e maior justiça na remuneração atual do clero e havendo mais confiança e maior segurança quanto ao futuro, poderão os clérigos praticar a pobreza com um sentido evangélico e a procura da vocação passará a ser bem maior.

Um traço característico na opção pela vida religiosa o compromisso e vivência da espiritualidade deveria servir de fundamento para ação evangelizadora.

Com o aumento populacional e o crescimento dos desafios pastorais, a necessidade de manutenção de vínculo de amizade na vida presbiteral.

Falar de relacionamento com mulheres implica tratar de questões de afetividade e sexualidade, pela condição celibatária exige.

O celibato, condição inerente à opção presbiteral, tem sido alvo sobre pedofilia e abuso sexual.


RELIGIÃO EVANGÉLICA

Numa época em as questões religiosas e filosóficas preocupam os espíritos, julga-se fazer uma obra pondo este humilde trabalho.

Acresce que a Religião Evangélica tem sido alvo das mais grosseiras acusações. Pessoas há que confundem o Protestantismo com o Materialismo; outros crêem que a Religião Protestante consiste em blasfemar de Cristo, em falar contra a Virgem Maria e os Santos, havendo até julgadores afirmando que os evangélicos fisicamente são diferentes dos outros homens.

Essas idéias e outras semelhantes, impróprias até de séculos remotos, são entretidas por pessoas de crassa ignorância e engendradas por certos indivíduos de má fé.

O trabalho observado destina-se a prevenir os incautos e os de boa consciência contra essas insinuações perversas, dando-lhes em breves frases e concisas sentenças de fé.

A Constituição Federativa do Brasil, não define o conceito de religião nem autoriza o legislador ordinário a defini-la, mas coíbe praticas atentatórias à dignidade da pessoa humana, mesmo quando revestidas de rituais religiosos.

CRISE DA ALTERIDADE

Questão profunda valoriza o encontro com a pessoalidade, vamos continuar queimando mendigos, matando crianças. Cada vez mais a pessoa se estrutura dentro de um contato urbano.

Existe um escritor brasileiro, Jorge Amado, que é mais conhecido que Paulo Coelho, é traduzido no mundo inteiro. Porque ele é traduzido? Porque nos romances, o menor é herói, o negro é herói, a prostituta é personagem e o pai – de – santo não é um feiticeiro, mas é o babalorixá da comunidade litúrgica.

Pessoas que vivem a lei do santo, no espaço da paróquia e na casa religiosa, estão dentro do espaço do brasileiro e o brasileiro tem a cultura da sedução e não pode ficar sem uma liturgia sedutora.

Povo marginalizado busca espaço para mostrar sua cultura religiosa.

Um País enorme e cheio de contradições que procura valorizar a pessoalidade, entender que o problema do Brasil não é a miséria, a fome, mas a falta de sensibilidade.

A pós – modernidade nos trouxe uma religiosidade difusa, trouxe expansão vertiginosa de fenômeno neopentecostal, mas trouxe também a perda de valores, de sentidos, a civilização do vazio.

A religião está ligada à satisfação de necessidades imediatas só que ninguém sabe nada da vida dos santos, onde está a fé pode estar o mártir, a bíblia não é um símbolo mágico, apenas apresenta um conteúdo ético.

A ética da alteridade pressupõe um comportamento de imparcialidade, justiça, humanidade e interpelação do outro, ter ética é ter uma atividade positiva perante o outro é um principio que se manifesta em ações que não causam sofrimento em ninguém, porque objetivo final da ética é o bem maior.


CONCLUSÃO

A liberdade é também um dos direitos fundamentais da humanidade. A religião tem por base a “anima” (alma) da natureza, chamada de anímica desenvolvida no Brasil com conhecimento dos sacerdotes, justamente com seus hábitos, sua cultura e seu idioma.

O crescimento evangélico e o redescobrimento de religiões aborígines indicam que a religião apresentará, nos próximos anos, um espectro ainda mais colorido de pluralidade religiosa.

As realidades das diferenças religiosas não devem ser vistas como traços negativos, mas como sinais ricos e substanciosos. A existência das diferenças é que propicia o crescimento e o aprendizado. As identidades religiosas permanecem frágeis quando desprovidas da possibilidade de um enriquecimento com a alteridade. A cada dia cresce a percepção de que o único caminho possível para a paz é o do diálogo, a compreensão mútua e a hospitalidade inter – religiosa. Só pode haver verdadeiro diálogo inter – religioso quando se reconhece o pluralismo religioso como um valor, enquanto realidade de direito.


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