Corrupção e segurança pública

Retrata algumas faces da segurança pública que, por vezes, se mistura e contribui à criminalidade.

26/11/2007

O filme "Tropa de elite" trouxe à tona uma discussão que sempre causa debates fervorosos, já que trata de questão muito antiga, porém, de pontos de vista radicalmente opostos, além de ser um tema "perigoso" - pisa-se em ovos.

A insegurança, que retrata a falta de liberdade, anda junto com o povo brasileiro que, apesar de ser conhecido por seu samba e alegria, não sabe mais o que é tranqüilidade, paz, sossego... O mais triste é que não é possível enxergar uma luz no fim do túnel, justamente porque nos vemos cercados de corrupção, até numa instituição na qual deveríamos confiar cegamente.

A segurança pública, direito do cidadão garantido pela Constituição Federal, constitui dever do Estado, que tem falhado e muito nesta e outras funções, por deixar a ética e cidadania de lado, assim, causando o grave quadro de violência que se tornou rotina no país do carnaval.

Tantas são as notícias que retratam a evolução da criminalidade no Brasil, que nos vemos obrigados a tentar achar os culpados para tamanha desgraça, de modo a diminuir, ao menos, a nossa indignação. Muitas vezes, esta culpa é atribuída à polícia. Por quê?

A atividade policial brasileira apresenta duas faces e, por isso, é alvo das constantes revoltas de uma nação cansada. O sistema não é apto para combater à violenta criminalidade, não só pelo despreparo e burocracia dos procedimentos, mas também por vender sua ética, fazendo vista grossa para encobrir os delitos, aliando-se ao inimigo.

Vez ou outra vem à tona casos em que a polícia agiu abusivamente, utilizando de sua autoridade para dar uma lição em pessoas que, na maioria, não sabem nem o motivo do espancamento. Porém, sabemos que é este mesmo o traçado "perfil da polícia brasileira: violenta, ineficaz e corrupta" (Alexandre Pereira Rocha1).

Sabe-se que a função da polícia é deter a violência, contudo, é comum o uso da força e o emprego de tortura, transformando a autoridade policial em instrumento de vingança. Esta postura dos "defensores" da população só aguçam ainda mais a ira dos criminosos e, por conseqüência, intensifica a tragédia brasileira.

Entretanto, não sejamos igualmente hipócritas a ponto de taxar toda a instituição. Boa parte dela está sim envenenada, à beira da morte (dela e da nossa), mas cada indivíduo, cada ente, cada policial que se deixa contaminar, se torna o agente transmissor desta doença chamada corrupção, que se não detida, levará o país ao óbito.

Como encontrar a vacina para tal epidemia?

Acusar é fácil, difícil é identificar os focos do problema e achar a solução, que obviamente não é imediata. Não podemos esquecer que outro grande contribuidor do descontrole da violência, para não dizer culpado, é o governo, já que não proporciona o preparo e os instrumentos necessários para o cumprimento da atividade policial, além do número de pessoal, que é ínfimo diante das infrações cometidas (e/ou são mal distribuídos).

Muitas vezes, as defesas que nos são apresentadas baseiam-se no receio, no medo de enfrentar os bandidos, visto que os policiais também são cidadãos, têm filhos para criar, porém, ao se efetivarem no cargo, conseqüentemente, assumiram este risco e, por isso, não podem se eximir de se arriscar, mesmo que não tenham todo o amparo necessário para o exercício de sua função.

 

Conclusão

Corrupção: ato ou efeito de corromper (-se), decomposição; depravação; suborno. É deste mal que estamos rodeados, senão dizer contagiados, até porque, não sejamos desvirtuosos e confessêmos, que este mal é cultural, caracterizado pelo famoso "jeitinho brasileiro", de bancar o esperto e de querer se dar bem em qualquer situação. Essa avalanche começa a se formar com a nossa tentativa de comprar os guardas de trânsito, por exemplo (lembremos: corrupção = suborno).

Assim, repugnante temos que tratar como heróis os poucos que desempenham com seriedade e compromisso sua função, sendo que são simplesmente cumpridores da Lei e do exercício a que se dispuseram servir com honra.

Contudo, deprimente é ouvir, também, as piadas e certos comentários feitos sobre o filme inicialmente citado, posto que se é deste modo que a população se depara com o problema exposto e simulado na obra, concluímos que a questão é muito mais abrangente e séria do que parece, já que nem temos a consciência das conseqüências que isto pode causar.

É certo que a corrupção da segurança pública ocasiona a descrença e a indignação da população, porém, não há motivos para não sermos otimistas e acreditarmos na cura desta epidemia, afinal, somos brasileiros e não desistimos nunca.

 

Referência Bibliográficas

[1] ROCHA, Alexandre Pereira. Criminalização da Polícia. Revista Jurídica Consulex - Ano IX - nº 259 - 31 de outubro/2007, p. 31.

DN

Comentários

(8)

Concordo plenamnete. Não podemos admitir que o sistema político possa muitas vezes fazer vista grossa da situação que ocorre em nosso País. Ou melhor, não temos segurança, não podemos ter paz em qualquer lugar, e principalmente nas grandes cidades. O que de direito que está garantido na "Constituição Brasileira", não existe, ou melhor, a segurança dos cidadãos Brasileiros. Att. Estudante de Direito José Roberto de Melo
Comentário de José Roberto de Melo em 14/02/2008 09h45
fico muito triste ,em saber q a própia polícia se alía as corrupções ,dai eu pensso sera q um dia isso vai melhorar ou ter um fim?procuro pensar q vai sim melhorar pois "sou brasileira e não desisto nunca"!!e acredito num futuro melhor , e acredito mais ainda que isso depende de cada um de nós!!!!!
Comentário de Daniella Machado em 28/02/2008 14h52
É muito triste para todos nós brasileiros os fatos que ocorrem em nosso país. Porém quando o caso é analisado com o devido cuidado percebemos uma culpa conjunta. O governo se omite , alguns policiais se que deveriam proteger partem para o caminho inverso , alguns "pais" deixam de educar corretamente seus filhos e tudo vai somando , para este cenário que nos encontramos.
Comentário de Paulo Marcelo Batista em 06/04/2008 15h13
É lamentavel saber a falta de interesse dos nossos politicos em deixar a situação atingir esse patamar. Temos uma herança bastante so frida do tema, a propria ditadura e os movimentos estudantis dos anos 60, nos mostraram o dispreparo já na aquela época.Pois o tempo passou e formou-se ao longo do tempo politicos que hoje comandam o nosso pais e a polícia. Portanto devemos também dividir toda a culpa. responsabilidade.
Comentário de Alex Elias Academico do 5º Periodo Direito em 08/04/2008 15h03
Escrivão de Policia Civil, advogado impedido, pós-graduado em Direito Constitucional. Muito facil colocar a culpa em uma instituição (Policia) que trabalha na linha de frente de toda sujeira que existe em uma sociedade, os diversos tipos de crime, mas sabemos que por trás esta escondido os que agem as escondidas. O Estado deveria valorizar o Policial, tenho certeza que um Policial Militar (soldado) ou Investigador, Escrivão, tem mais pratica para acabar com a violencia ou corrupção do que os que chegam no poder através de politica ou favores.
Comentário de Marcelo Rego em 15/04/2008 19h57
Concordo que a corrupção é o cancêr que assola o país, não do carnaval ou do futebol, mas sim dos maiores recursos do mundo, e do povo mais valente e lutador que já connheci. Para se falar em polícia deve-se primeiro conhecer os pontos remotos obscuros onde o Rei é a miséria, donde se ve as pessoas abandonadas pelo Estado jogadas nas ruas, onde a única esperança é um homem mal pago e sem condições de trabalho, mergulhado sim na corrupção de um estado acostumado a criticar aqueles que menos pode se defender. Para pensar! Você que ora esta criticando aquilo que não conhece. Não conhece nenhum crime que esta acontecendo proximo de sua casa? Um prostibulo, um traficante, um fato delituoso que é percebido por todos e todas as autoridades, e não se toma nenhuma providência, como é sua posição como parte deste Estado). Não importa o que você pense, o importante é pensar. Claudio E. B. Gonçalves (apenas um brasileiro)
Comentário de Claudio E. B Gonçalves em 25/05/2008 16h29
Concordo plenamente com as colocações, não é certo atribuirmos a culpa da insegurança e da violência apenas a polícia, todos nós temos nossa parcela de culpa, e quem é o maior responsável por essas situações que assola o país é o governo e nossos políticos, que não pensam e agem de forma sistêmica no combate a violência, pois esse mal é uma conexão de outros problemas, e sua solução está em medidas amplas, tem que combater todos os outros males periféricos, tais como o descaso: saúde, transporte, saneamento básico, moradia, emprego, alimentação, etc, e não devemos esquecer as diferenças sociais. Portanto, para que tenhamos um país mais tranquilo temos que encarar a violência como um problema de todos, o cidadão, a igreja, a família, o governo e os políticos, pois a violência atigem todo mundo.
Comentário de Valter José da Silva em 31/05/2008 19h34
Não é preciso nenhuma afirmativa para mostrar que estamos diante de uma escalada imoral, antiética, jamais vista na República. Sociedade transviada em que mina no dia - a- dia, a omissão a impunidade de nossos governantes, ratazanas alopradas, com voraz apetite em usurpar a ínfima remuneração mensal dos que ainda trabalham com dignidade neste país. Estas posturas dos nossos "politicos que se diz defensores" da população só aguçam ainda mais a ira dos perveros em atacar com novos impostos e taxas os cidadãos de bem e, surrupiando a esperança do já sofrido povo brasileiro, com o abono da maioria de politicos e autoridades omissas, fazendo vista grossa da situação. Felizes os tempos em que ministro e secretários de Estado eram escolhidos pela competência, pelo conhecimento, pelos bons serviços já prestados,hoje os governantes eleitos fazem distribuição de cargos de acordo com acertos politicos, em retribuição à ajuda recebida para a eleição e/ou acomodar companheiros derrotados.
Comentário de Geraldo Pelacani em 20/07/2008 17h20

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