Povo deu nota zero à política de segurança de Lula, diz Busato
Fonte: OAB - Conselho Federal
24/10/2005 13h59
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, afirmou hoje (24) que o povo brasileiro deu um claro recado nas urnas nesse domingo: deu nota zero à segurança pública oferecida pelo governo no país. Para Busato, a votação desse domingo foi simbólica, pois deixou de lado o mero caráter de referendo para ganhar conotação plebiscitária, tendo se transformado em um verdadeiro plebiscito sobre a política de segurança pública do país ou à sua não-política de segurança pública. “O governo foi fragorosamente derrotado e o povo brasileiro, mais uma vez, deu a sua resposta nas urnas”.
Busato lembrou que, no início da campanha, as pesquisas mostraram que o “sim” detinha mais de 70% de adeptos, estando muito à frente dos que não desejavam o desarmamento e a interrupção do comércio de munição no Brasil. Só que, até aquele momento, segundo Busato, a discussão estava focada apenas na manutenção da venda de armas em si. “Posteriormente, com o desenvolvimento da campanha do não, eles tiveram a competência de colocar em jogo, no debate, não só o problema do armamento, mas a política do governo com relação à segurança pública e no combate à violência”. Busato está em João Pessoa (PB), onde participa do lançamento de uma campanha da Seccional da OAB contra as altas custas judiciais no Estado.
Ao eleger Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou o presidente da OAB, o povo deu um claro recado nas urnas, o de que queria dar um “não” às elites deste país e exigia reformas efetivas para acabar com as principais mazelas brasileiras. Dentro dessas reformas, segundo Busato, uma de suas maiores aspirações era uma política clara e decente para a segurança pública. “E agora o povo volta para dizer a Lula, pela primeira vez depois de sua eleição, que sua nota é zero em relação à segurança pública no país”.
O Conselho Federal da OAB não chegou a se manifestar oficialmente se apoiava o “sim“ ou o “não” ao questionamento apresentado no referendo face à grande divisão de opiniões que existiu entre a diretoria e entre os conselheiros federais da entidade.
A seguir, a íntegra da declaração dada pelo presidente nacional da OAB, Roberto Busato, em João Pessoa, sobre o resultado do referendo sobre a comercialização de armas e munição no Brasil:
“A Ordem dos Advogados do Brasil não tinha um posicionamento oficial, até mesmo em função da divisão que havia sobre o assunto na advocacia brasileira entre o sim e o não. Meu voto foi, declaradamente, sim. Votei contra o armamento e respondi, especificamente, à pergunta que me foi colocada a respeito do comércio de armas e munições. Eu sou contra as armas e, portanto, votei sim. Acontece que, no final, essa votação ganhou um caráter verdadeiramente plebiscitário. Transformou-se em um verdadeiro plebiscito em relação à política de segurança pública deste país ou à sua não-política de segurança pública. O povo brasileiro reagiu de forma instantânea e com muito vigor. Quando se iniciou o movimento das frentes parlamentares, o sim tinha mais de 70% de adeptos, estava muito acima do não. Até aquele momento, só havia a discussão com relação às armas em si. Posteriormente, com o desenvolvimento da campanha do não, eles tiveram a competência de colocar em jogo, no debate, não só o problema do armamento, mas a política do governo em relação à segurança pública e no combate à violência. Daí, o povo acabou transformando o plebiscito em algo além do comércio de armas, mas em plebiscito sobre política de governo em relação à segurança pública. O governo foi fragorosamente derrotado e o povo brasileiro, mais uma vez, deu a sua resposta nas urnas. Aliás, o povo vem dando essa resposta a todo o tempo, pois o povo brasileiro é sábio. Quando votou em Lula, o povo quis dizer claramente um não às elites públicas deste país. Quando o povo votou em Lula, votou em um metalúrgico, em um operário exatamente para trazer a esse país as grandes reformas que o país necessitava. E dentro dessas reformas, uma de suas maiores aspirações era uma política clara e decente para a segurança pública. E agora o povo volta para dizer a Lula, pela primeira vez depois de sua eleição, que sua nota é zero em relação à segurança pública no país”.
Fonte: OAB - Conselho Federal
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