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Fonte: Agência Brasil
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou hoje (30) na Justiça com um pedido de afastamento, perda de cargos e aposentadorias de três delegados da Polícia Civil de São Paulo que participaram diretamente de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimentos e homicídios durante o regime militar (1964–1985). Entre as vítimas apontadas na ação, estão o ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, e seu antecessor na pasta, Nilmário Miranda.Também
prestou depoimento no Ministério Público Federal o atual presidente do
Conselho Estadual de Defesa da Pessoa de São Paulo, Ivan Seixas, que foi
preso aos 16 anos, junto com o pai, Joaquim Alencar de Seixas,
torturado e morto pela equipe do Doi-Codi. De acordo com o relato de
Ivan Seixas, David Araújo, o “capitão Lisboa”, estava entre os
torturadores. “Era o que mais batia”, disse. Seixas também contou que,
como forma de pressão, os policiais o levaram para uma área deserta e
simularam seu fuzilamento. Depois, foi colocado em uma viatura onde
havia a edição da Folha da Tarde com a manchete sobre a morte de seu
pai, mas, ao chegar no Doi-Codi, seu pai ainda estava vivo. Ele disse
ainda que, após a prisão, sua casa foi saqueada. Uma das irmãs de Seixas
afirmou ao MPF que foi abusada sexualmente por Araújo.
De
acordo com o Ministério Público Federal, Dirceu Gravina foi reconhecido
em 2008, por Lenira Machado, uma de suas vítimas, em reportagem sobre
investigação que o delegado conduzia sobre um suposto vampiro que agia
na cidade de Presidente Prudente e mordia o pescoço de adolescentes.
Presa por três dias no Dops, Lenira afirmou que teve toda a roupa
rasgada por Gravina e mais dois policiais. Depois foi transferida para o
Doi/Codi, ficando por 45 dias apenas com um casaco e um lenço.
A
ação detalha que, em seu primeiro interrogatório no Doi/Codi, Lenira
foi pendurada no pau de arara e submetida a choques elétricos. “Nesta
sessão de tortura, conseguiu soltar uma de suas mãos e, combalida,
acabou por abraçar Gravina – que estava postado a sua frente, jogando
água e sal na boca e nariz da presa. O contato fez com que o delegado
sentisse o choque, caindo sobre Lenira e, em seguida, batendo o rosto,
na altura do nariz, em um cavalete”, destaca o documento.
“Após
algumas horas, Gravina voltou do Hospital Militar, onde levou pontos no
rosto, e retomou a tortura, a ponto de provocar uma grave lesão na
coluna de Lenira e, mesmo assim, não suspendeu a sevícia. A tortura
contra ela era tão intensa que, em um determinado dia, teve que ser
levada ao hospital, onde lhe foi aplicado morfina para poder voltar às
dependências da prisão”, relata a ação do Ministério Público Federal.
Gravina
é também apontado pelos procuradores como o último agente a torturar o
preso político Aluízio Palhano Pedreira Ferreira. Também foram vítimas
de Gravina, de acordo com a ação os presos políticos Manoel Henrique
Ferreira e Artur Scavone.
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