STJ - HC 80800 / SP HABEAS CORPUS 2007/0077011-6


17/mar/2008

PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO.
ART. 121, § 2º, INCISOS II E IV, C/C ART. 14, INCISO II, AMBOS DO
CÓDIGO PENAL. PRISÃO PREVENTIVA. APONTADA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO
DO DECRETO PRISIONAL. SEGREGAÇÃO CAUTELAR DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA
NA GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. PECULIARIDADES
DO CASO. REITERAÇÃO DELITIVA. AMEAÇA A TESTEMUNHAS.
I - A privação cautelar da liberdade individual reveste-se de
caráter excepcional (HC 90.753/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de
Mello, DJU de 22/11/2007), sendo exceção à regra (HC 90.398/SP,
Primeira Turma. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJU de 17/05/2007).
Assim, é inadmissível que a finalidade da custódia cautelar,
qualquer que seja a modalidade (prisão em flagrante, prisão
temporária, prisão preventiva, prisão decorrente de decisão de
pronúncia ou prisão em razão de sentença penal condenatória
recorrível) seja deturpada a ponto de configurar uma antecipação do
cumprimento de pena (HC 90.464/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, DJU de 04/05/2007). O princípio constitucional da
não-culpabilidade se por um lado não resta malferido diante da
previsão no nosso ordenamento jurídico das prisões cautelares
(Súmula nº 09/STJ), por outro não permite que o Estado trate como
culpado aquele que não sofreu condenação penal transitada em julgado
(HC 89501/GO, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJU de
16/03/2007). Desse modo, a constrição cautelar desse direito
fundamental (art. 5º, inciso XV, da Carta Magna) deve ter base
empírica e concreta (HC 91.729/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Gilmar
Mendes, DJU de 11/10/2007). Assim, a prisão preventiva se justifica
desde que demonstrada a sua real necessidade (HC 90.862/SP, Segunda
Turma, Rel. Min. Eros Grau, DJU de 27/04/2007) com a satisfação dos
pressupostos a que se refere o art. 312 do Código de Processo Penal,
não bastando, frise-se, a mera explicitação textual de tais
requisitos (HC 92.069/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes,
DJU de 09/11/2007). Não se exige, contudo fundamentação exaustiva,
sendo suficiente que o decreto constritivo, ainda que de forma
sucinta, concisa, analise a presença, no caso, dos requisitos legais
ensejadores da prisão preventiva (RHC 89.972/GO, Primeira Turma,
Relª. Minª. Cármen Lúcia, DJU de 29/06/2007).
II - Assim, a Suprema Corte tem reiteradamente reconhecido como
ilegais as prisões preventivas decretadas, por exemplo, com base na
gravidade abstrata do delito (HC 90.858/SP, Primeira Turma, Rel.
Min. Sepúlveda Pertence, DJU de 21/06/2007; HC 90.162/RJ, Primeira
Turma, Rel. Min. Carlos Britto, DJU de 28/06/2007); na
periculosidade presumida do agente (HC 90.471/PA, Segunda Turma,
Rel. Min. Cezar Peluso, DJU de 13/09/2007); no clamor social
decorrente da prática da conduta delituosa (HC 84.311/SP, Segunda
Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, DJU de 06/06/2007) ou, ainda, na
afirmação genérica de que a prisão é necessária para acautelar o
meio social (HC 86.748/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso,
DJU de 06/06/2007).
III - Na hipótese dos autos, o decreto prisional se encontra
devidamente fundamentado em dados concretos extraídos dos autos que
denotam fato de extrema gravidade, sendo que a manutenção do
paciente em liberdade acarreta insegurança jurídica e, por
conseguinte, lesão a ordem pública, em virtude da reiterada
atividade delitiva, que demonstra a possibilidade de prática de
novos delitos (HC 86.973/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Carlos
Velloso, DJU de 10/03/2006), em razão do paciente registrar outros
envolvimentos criminais por corrupção de menores, roubo, porte
ilegal de arma e até por latrocínio.
IV - Pode se afirmar, ainda, que o decreto prisional se encontra
devidamente fundamentado, pois há concreta possibilidade de ameaça
por parte do agente contra testemunhas e vítima, o que, per se, é
fundamento suficiente para manutenção da segregação cautelar,
conforme inclusive já se decidiu no HC 86347/SP, Segunda Turma, Rel.
Min. Joaquim Barbosa, DJU de 25/08/2006.
V - Condições pessoais favoráveis, como primariedade, residência e
emprego fixo no distrito da culpa, não têm o condão de, por si só,
garantir ao paciente a revogação da prisão cautelar, se há nos autos
elementos hábeis a recomendar a sua manutenção (Precedentes).
Habeas corpus denegado.

Tribunal STJ
Processo HC 80800 / SP HABEAS CORPUS 2007/0077011-6
Fonte DJ 17.03.2008 p. 1
Tópicos processual penal, habeas corpus substitutivo de recurso ordinário, art.

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